Animais da Austrália: curiosidades, perigos reais e onde ver
De 2001 a 2021, os cavalos apareceram em mais mortes na Austrália do que cobras, tubarões, crocodilos e aranhas somados. O risco de verdade está na água e na estrada. O resto se resolve sabendo o que fazer.
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Quem vai estudar na Austrália costuma chegar com duas imagens na cabeça: o canguru simpático e a aranha gigante que mata. Nenhuma das duas conta a história inteira. Este guia junta o que os museus, os legistas e os serviços de saúde australianos dizem sobre os bichos que você vai encontrar, o que fazer quando algo dá errado e onde ver coala, canguru, pinguim e baleia de graça ou pagando pouco.
O guia de geografia da Austrália explica por que a fauna de lá é tão diferente. Aqui você vai ver quais curiosidades são verdade e o que muda a sua rotina e a sua segurança.
O resumo
- Nenhuma morte por picada de aranha foi confirmada no país desde 1979. Cobra mata de uma a quatro pessoas por ano, e há antiveneno para todas as cobras nativas.
- O mar pede mais cuidado que o mato. As correntes de retorno matam 21 pessoas por ano, em média, quase oito vezes mais que os tubarões. Nade entre as bandeiras vermelha e amarela.
- Picada de cobra pede bandagem firme e o membro parado, sem lavar. É o contrário do que se ensina no Brasil.
- Na bluebottle, água quente. O vinagre é só para as águas vivas do norte tropical.
- Morcego não se toca. Entre 28 de setembro e 10 de outubro de 2026, 43 pessoas mordidas ou arranhadas por morcego foram atendidas em New South Wales.
- Dar comida a bicho em parque dá multa, e segurar coala é proibido em New South Wales e em Victoria.
- Dá para ver muita coisa de graça: pinguins em St Kilda (com reserva), morcegos gigantes ao entardecer, coalas soltos em Brisbane e Adelaide e golfinhos em Adelaide e Perth.
- Emergência: 000. Dúvida sobre picada ou envenenamento: 13 11 26, 24 horas.
O que tem nesta página
- Os animais da Austrália são tão perigosos quanto dizem?
- Curiosidades que são verdade
- Os bichos que você vai ver na cidade
- Cobras, aranhas e outros riscos em terra
- Correntes, tubarões, águas vivas e crocodilos
- Primeiros socorros: o que muda do Brasil
- Regras e multas
- Onde ver de graça ou barato
- Calendário dos bichos
- O que os sites ainda erram
- Perguntas frequentes
- Os bichos dentro do planejamento
Os animais da Austrália são tão perigosos quanto dizem?
Resposta rápidaNão do jeito que a fama sugere. De 2001 a 2021, os legistas australianos contaram 713 mortes em que um animal teve alguma participação, uma média de 34 por ano. Os cavalos lideram, com 222. As cobras somaram 50 e os tubarões, 39. Nenhuma morte por picada de aranha foi confirmada. Na praia, o que mais mata é a corrente de retorno.
Esses números são do NCIS, o sistema que reúne os casos investigados pelos legistas do país. Ele conta toda morte em que um animal entrou na história, por isso aparecem as quedas de cavalo e as batidas de carro e de moto em canguru.
| Animal | Mortes em 21 anos | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Cavalos | 222 | Quedas em 59,5% dos casos. Passeio ou trilha a cavalo em 35,6% |
| Bois e vacas | 92 | Pancada, chute ou pisoteio em 52,2%. Acidente com veículo em 45,7% |
| Cães | 82 | Mordida em 46,3% e queda em 42,7%. Metade das vítimas tinha 65 anos ou mais |
| Cangurus | 53 | Todas em acidente com veículo, quase metade com motociclista |
| Cobras | 50 | 18 em Queensland e 11 em New South Wales |
| Abelhas | 45 | Todas por choque alérgico (anafilaxia) |
| Tubarões | 39 | Surfe, bodyboard ou natação em 56,4% |
| Crocodilos | 25 | 17 no Northern Territory e 7 em Queensland |
| Aranhas | 0 | Nenhuma morte confirmada no período |
Fonte: NCIS, ficha de novembro de 2024 sobre mortes ligadas a animais.
O AIHW, o instituto de saúde do governo federal, usa outra base e chega à mesma conclusão. Em 2023/24, a categoria que junta mordidas, picadas, ferroadas e outros contatos com animais, plantas e pessoas somou 27 mortes. No mesmo ano, as tabelas do instituto mostram 300 mortes por afogamento e 1.494 em acidentes de transporte.
Na água, a conta que importa é outra. Os tubarões mataram em média 2,7 pessoas por ano na Austrália de 2016 a 2025, segundo a base nacional de incidentes com tubarão, mantida pela entidade que administra o Taronga Zoo, em Sydney. As correntes de retorno matam 21 por ano, em média, segundo a Surf Life Saving Australia. É quase oito vezes mais.
AtençãoQuem vem de outra cultura e fala outra língua corre mais risco na água, alerta a Surf Life Saving Australia. No relatório nacional de afogamentos de 2026, 39% das vítimas com país de nascimento conhecido tinham nascido fora da Austrália. E dos 154 afogamentos no litoral em 2024/25, nenhum aconteceu entre as bandeiras de uma praia patrulhada, no horário da patrulha.
E a famosa frase de que a Austrália tem 20 das 25 cobras mais venenosas do mundo? Ela aparece até no site da Healthdirect, mas o ranking mede a força do veneno em laboratório, não o risco de quem mora lá. A dona do veneno mais tóxico, a inland taipan, é tímida, calma e vive numa região remota e semiárida, conta o Australian Museum. Pouquíssimas pessoas foram picadas por ela, e todas sobreviveram.
Quais curiosidades sobre os animais da Austrália são verdade?
Resposta rápidaMuita coisa que parece lenda é fato: há mais canguru do que gente no país, o cocô do wombat sai em cubo, o ornitorrinco bota ovo e o macho tem veneno, e o filhote de canguru nasce do tamanho de uma jujuba. Outras são exagero, como a de que o canguru não consegue andar para trás.
Mais de 80% dos mamíferos da Austrália não existem em nenhum outro lugar, segundo o Australian Museum, e o país abriga metade das espécies de marsupiais do mundo, de acordo com o relatório oficial sobre o estado do meio ambiente. Estas são as curiosidades que conferimos nas fontes.
Canguru: mais canguru do que gente
Só nas áreas em que o governo conta os cangurus para controlar a caça comercial, em cinco estados, havia mais de 32 milhões de cangurus vermelhos e cinza em 2023, segundo a tabela do departamento federal de meio ambiente. O país inteiro tinha 27,9 milhões de habitantes em março de 2026, pelo ABS, o instituto de estatística australiano. E hoje nenhuma espécie de canguru está na lista de espécies ameaçadas da lei australiana.
O filhote nasce do tamanho de uma jujuba e termina de se formar na bolsa. O canguru vermelho é o maior marsupial vivo do mundo, e o macho chega a 92 kg, conta o Australian Museum.
E a história de que o canguru não anda para trás, e por isso aparece no brasão do país ao lado do emu? O site de educação do Parlamento australiano diz só que, segundo alguns, os dois foram escolhidos porque não andam para trás com facilidade, como símbolo de um país que segue em frente. O cuidado com canguru na estrada está na seção 4.
Coala: não é urso e dorme até 20 horas
O coala não é urso. É um marsupial, e o parente mais próximo dele é o wombat. Come quase só folha de eucalipto, cerca de meio quilo por dia, e tem dois polegares em cada mão, o que ajuda a agarrar o galho, segundo o governo de New South Wales. Dorme até 20 horas por dia para poupar energia, porque as folhas são pobres e tóxicas e dão trabalho para digerir, e tira delas a maior parte da água de que precisa: só desce da árvore para beber quando faz muito calor ou na seca, explica o governo de Queensland.
Por isso, no parque, olhe para o alto das árvores, ao amanhecer e ao entardecer, quando ele se mexe mais, como orienta a Parks Victoria. E saiba que o coala está oficialmente em perigo de extinção em Queensland, New South Wales e no ACT desde 12 de fevereiro de 2022, pela lei federal.
Wombat: o cocô em cubo
O cocô do wombat sai em cubo, com os cantos arredondados, confirma a CSIRO, a agência científica do governo. Um estudo publicado em 2021 mostrou que o formato aparece no trecho final do intestino, que tem partes mais duras e mais grossas do que outras. A mesma equipe já tinha levado o IgNobel de Física de 2019 por estudar como e por que esse cocô sai em cubo. E, quando se sente em perigo, o wombat se enfia na toca, onde pode esmagar a cabeça do predador com o traseiro contra o teto ou a parede, conta o Australian Museum.
Ornitorrinco e equidna: mamíferos que botam ovo
O ornitorrinco e a equidna são os únicos mamíferos do mundo que botam ovo. O ornitorrinco macho tem no tornozelo um esporão ligado a uma glândula de veneno forte o bastante para matar um cachorro, segundo o governo de New South Wales. Em gente, a dor é descrita como insuportável, mas não mata, conta o Australian Museum. E, quando os primeiros exemplares chegaram aos cientistas europeus, muitos acharam que o animal era falso.
No Gold Coast, o David Fleay Wildlife Park, do governo de Queensland, é o único parque de fauna da região onde dá para ver ornitorrinco. Já o filhote da equidna se chama puggle e nasce do tamanho de uma jujuba, informa o governo de New South Wales.
Quokka: o bicho que deu nome a Rottnest
O quokka é um dos menores wallabies, sobe em árvore e não vive só em Rottnest Island, perto de Perth: também aparece no continente, no sudoeste de Western Australia, e em Bald Island, perto de Albany. O nome de Rottnest veio dele. O explorador holandês Willem de Vlamingh achou que eram ratos do tamanho de um gato e batizou a ilha de Rottenest, ninho de rato, nome que hoje se escreve Rottnest, conta o Australian Museum. A multa por mexer com ele está na seção 7.
Emu e casuar: as aves grandes
O nome emu não é aborígene: pode ter vindo de uma palavra árabe para ave grande, adotada por exploradores portugueses, segundo o Australian Museum. E o emu não é a nossa ema, que é outra ave, da América do Sul. Quem choca os ovos é o pai, por cerca de 55 dias, sem comer, beber nem sair do ninho.
O casuar, ave enorme das florestas do norte de Queensland, pode ser agressivo e imprevisível, e chega a ferir com gravidade, com chutes ou pulando em cima da pessoa. Mas num estudo de 221 ataques em Queensland, 75% dos ataques a pessoas foram de casuares que já tinham ganhado comida de alguém. Nunca alimente casuar e, se um chegar perto, recue devagar, orienta o governo de Queensland.
Tasmanian devil: uma mordida fortíssima para o tamanho
O Tasmanian devil, o diabo da Tasmânia, é o maior marsupial carnívoro ainda vivo, segundo o governo da Tasmania, e tem a mordida mais forte em proporção ao corpo entre os mamíferos carnívoros vivos analisados num estudo de 2005. A maior ameaça é um câncer no rosto que passa de um animal para outro pela mordida e já derrubou populações em até 80%, informa o programa do governo que cuida da espécie.
Que bichos você vai ver na cidade?
Resposta rápidaQuase sempre aves: o íbis revirando o lixo, a cacatua gritando, o lorikeet colorido, o kookaburra e, na primavera, a magpie que dá voo rasante. À noite aparecem o possum no telhado e os morcegos gigantes. A regra que vale para todos é não alimentar e não tocar.
Íbis, o bin chicken
O íbis branco tem um apelido que até o Australian Museum registra: bin chicken, a galinha do lixo. Mesmo com a fama, é ave nativa e protegida por lei, lembra a prefeitura de Brisbane.
Cacatuas que abrem lixeira
Em Sydney, as cacatuas de crista amarela aprenderam a levantar a tampa da lixeira para pegar comida, e o truque foi passando de ave para ave, segundo um estudo publicado na revista Science em 2021. Na cidade, elas também adoram roer deck e acabamento de madeira, conta o Australian Museum.
Lorikeets: nada de açúcar
O lorikeet colorido vem comer na mão se você deixar. Não deixe. O governo de New South Wales alerta que açúcar, mel e geleia podem matar as aves e que comedouros espalham doença entre elas. Para ver lorikeets comendo de perto, existe a alimentação gratuita do Currumbin, no Gold Coast (seção 8).
Kookaburra
A risada que acorda muita gente cedo não é risada. É um aviso de território, cantado em coro pela família, explica o Australian Museum.
Magpies na primavera
Na primavera, algumas magpies defendem o ninho dando voo rasante em quem passa, a pé ou de bicicleta. A temporada vai de agosto a novembro em Queensland e de julho a dezembro em Canberra, segundo os governos de Queensland e do ACT. Em geral, o voo rasante é só um aviso e dura algumas semanas em cada ninho. Quem ataca é uma pequena minoria, quase sempre o macho. Num estudo publicado na revista Emu em 1999, só machos participaram de 97,5% dos ataques a pessoas. O governo de Queensland diz ainda que a defesa costuma se limitar a 100 ou 200 metros do ninho.
O que fazer, segundo os governos de New South Wales e de Queensland: saia da área e evite aquele trecho na temporada, olhe para a ave enquanto se afasta, use chapéu ou capacete e óculos escuros e, de bicicleta, desça e empurre. Não revide: pedra, pau ou grito podem deixar a ave mais agressiva da próxima vez. A magpie é protegida, e matar a ave, pegar os ovos ou machucar os filhotes é crime. O jeito australiano de encarar a temporada está no post sobre costumes da Austrália.
Morcegos gigantes: olhe, mas não toque
Os flying foxes são morcegos que comem frutas, néctar e flores e chegam a um metro de envergadura. Eles saem das colônias ao entardecer atrás de comida e voltam ao amanhecer, segundo o governo de New South Wales. A revoada é linda de ver em Centennial Park, em Sydney, ou em Yarra Bend, em Melbourne.
Mas morcego não se toca. Qualquer morcego, em qualquer lugar do país, pode carregar o lyssavírus australiano, parente do vírus da raiva, e a aparência do animal não diz nada. Desde 1996, quatro pessoas pegaram o vírus, todas depois de mordida ou arranhão, segundo o NSW Health, o departamento de saúde de New South Wales. A vítima mais recente morreu em julho de 2025, mesmo tendo recebido o tratamento preventivo, o que é muito raro: num alerta aos médicos, o mesmo órgão lembra que o tratamento é muito eficaz para evitar a infecção.
Em outubro de 2026, o NSW Health fez outro alerta: entre 28 de setembro e 10 de outubro, 43 pessoas foram atendidas em todo o estado depois de mordida ou arranhão de morcego, contra 10 no mesmo período de 2025, com casos no litoral do Central Coast para o norte. Com a falta de comida, os morcegos estão passando o dia nas árvores onde comem, inclusive em quintais.
Se for mordido ou arranhado, lave na hora com água e sabão por pelo menos 15 minutos, passe um antisséptico, como iodopovidona ou álcool 70%, e procure atendimento o quanto antes. Morcego caído ou ferido não se pega: ligue para o resgate de fauna do estado (os telefones estão na seção 7).
Possum no telhado
O barulho no forro à noite costuma ser um possum. Ele é protegido: em New South Wales, é ilegal matar, levar para outro lugar ou capturar e soltar sem licença, e o possum levado para longe não sobrevive em território novo. O caminho que dispensa licença, segundo o governo do estado, é oferecer uma caixa ninho numa árvore do quintal, a pelo menos 4 metros de altura, e fechar as entradas do telhado depois que ele sair, à noite. Se você mora de aluguel, fale com a imobiliária antes de mexer no telhado.
As aranhas de dentro de casa
Das cerca de 3.600 espécies de aranha do país, poucas fazem mal às pessoas, segundo o Australian Museum. A que mais assusta brasileiro é a huntsman: grande, peluda, com até 15 cm de pernas abertas, e famosa por aparecer atrás da viseira do carro, conta o mesmo museu. Ela assusta mais do que machuca. Num estudo com 168 picadas confirmadas, a dor durou cerca de 5 minutos no caso típico, ninguém teve ferida grave nem alergia, e 76% das picadas aconteceram porque a pessoa mexeu na aranha. A aranha de cauda branca também tem fama injusta: em 130 picadas confirmadas, nenhuma ferida necrosada, segundo o Medical Journal of Australia.
Quais bichos pedem cuidado de verdade em terra?
Resposta rápidaAs cobras, a funnel web de Sydney, a redback, o carrapato do litoral leste e, para quem tem alergia, a abelha. Cobra não ataca sem motivo: a maioria das picadas acontece quando alguém tenta pegar ou matar o animal. Na estrada, cuidado com o canguru do entardecer ao amanhecer.
Cobras
Umas 100 espécies de cobra da Austrália são venenosas, mas só 12 têm chance real de causar uma picada fatal, segundo o governo de New South Wales. Na prática, morrem de uma a quatro pessoas por ano picadas por cobra no país, e há antiveneno para todas as espécies nativas, informa a Healthdirect.
A que mais mata é a eastern brown, uma cobra marrom que vive em todo o leste do país, inclusive na periferia das cidades grandes, escondida sob troncos, pedras, chapas e material de construção. A picada dela costuma não doer e pode passar despercebida, por isso qualquer suspeita de picada pede atendimento na hora. E muitas picadas aconteceram com gente tentando matar a cobra, conta o Australian Museum.
As cobras aparecem mais nos meses quentes. Nas áreas frias, hibernam no inverno; no litoral, saem para tomar sol nos dias mais quentes do inverno. Na trilha, pise firme, faça barulho, use calçado fechado e calça comprida e, à noite, leve lanterna até para ir ao quintal. Se encontrar uma cobra, se afaste devagar e deixe ela ir embora. Se ela entrar em casa, o governo de Queensland recomenda fechar as portas internas, abrir as que dão para fora e chamar um caçador de cobras licenciado. Matar cobra é crime.
Funnel web: a aranha que pede pressa
A funnel web de Sydney vive do Central Coast ao Georges River, até Baulkham Hills a oeste, com registros nas Blue Mountains e em Wollongong, segundo o Australian Museum. No verão e no outono, os machos saem das tocas atrás de fêmeas, caem em piscina e sobrevivem horas na água, e de manhã procuram um canto úmido e escuro, até dentro de sapato deixado do lado de fora. Sacuda o sapato antes de calçar e não pegue aranha que parece afogada.
Picada de aranha grande e escura é emergência, principalmente em Sydney, em boa parte de New South Wales e no sudeste de Queensland: 000 e a mesma bandagem da picada de cobra (a seção 6 traz a lista das regiões). Desde que o antiveneno começou a ser usado, em 1981, ninguém mais morreu, segundo o Australian Reptile Park.
Redback
Preta, com uma listra vermelha nas costas, a redback gosta de lugar seco e abrigado perto de casa: galpão, banheiro, entulho, pedra e tronco. Só a picada da fêmea é perigosa. Mais de 250 pessoas recebem antiveneno por ano, e ninguém morreu desde que ele existe, segundo o Australian Museum. Na picada, gelo e atendimento, sem bandagem.
Carrapatos
No litoral leste, o paralysis tick responde por mais de 95% das picadas de carrapato em pessoas. Ele vive principalmente até 20 km da costa, e o risco existe o ano todo, mas a temporada costuma ir de julho a dezembro, quando há mais carrapatos adultos, segundo a ficha do governo australiano. Paralisia é rara em gente, e ninguém morre disso desde 1945. A curiosidade é outra: foram especialistas australianos os primeiros a ligar a picada de carrapato à alergia a carne vermelha, que pode surgir meses depois e causar reação 4 a 6 horas após comer carne de boi, porco, cordeiro ou canguru, explica a ASCIA, a sociedade de alergia da Austrália e da Nova Zelândia.
E na Austrália carrapato não se arranca. A orientação da mesma sociedade é congelar o bicho com um spray à base de éter, que costuma matar em cinco minutos, e deixar cair. Se não cair, procure atendimento. Pinça fina não é segura. Manga comprida, calça por dentro da meia, roupa clara e repelente com DEET ajudam a evitar.
Abelhas, para quem tem alergia
A abelha esteve em 45 mortes de 2001 a 2021, todas por anafilaxia, quase o mesmo número da cobra. Se você já teve reação forte a picada de inseto, converse com o seu médico sobre o autoinjetor de adrenalina antes de embarcar.
Dingos em K'gari
Em K'gari (Fraser Island), em Queensland, vivem dingos que já feriram pessoas. O governo de Queensland pede para guardar a comida do jeito certo, manter crianças e adolescentes mais novos ao alcance do braço e nunca andar sozinho pela ilha. E dar comida a dingo lá é infração, com a mesma pena máxima de quem dá comida a crocodilo (seção 7).
Cangurus na estrada
Nos registros dos legistas de 2001 a 2021, o canguru só aparece por um motivo: acidente com veículo. Foram 53 mortes, quase metade de motociclistas. Cangurus e wallabies ficam mais ativos à noite, ao entardecer e ao amanhecer, segundo o governo de New South Wales. A seguradora AAMI recebeu mais de 24 mil pedidos de indenização por batida em animal em 2025, mais de 80% com canguru, e os piores meses foram junho, julho e maio.
Se for alugar carro para viajar, evite estrada regional ao entardecer, à noite e ao amanhecer, reduza onde houver placa ou bicho morto na pista e não desvie de repente: é assim que um acidente pequeno vira grave. Se atingir um animal, pare em lugar seguro, ligue para o resgate de fauna (seção 7) e, se for seguro, olhe a bolsa, porque o filhote pode estar vivo. Na neve, o mesmo cuidado vale em dobro, como mostra o guia de neve na Austrália.
Quais são os perigos no mar e no rio?
Resposta rápidaO maior perigo do mar australiano é a corrente de retorno, e a defesa é nadar em praia patrulhada, entre as bandeiras vermelha e amarela. No norte tropical, as águas vivas perigosas pedem roupa de lycra e rede de proteção. Em rio, mangue e praia do norte, o risco é o crocodilo.
Correntes de retorno: o perigo número um
A corrente de retorno, que os australianos chamam de rip, é um canal de água que corre da beira da praia para o fundo. A Surf Life Saving Australia, a entidade nacional de salvamento, atribui a ela uma média de 21 mortes por ano e estima que existam 17 mil correntes dessas no litoral em qualquer dia.
Ela engana porque o trecho parece calmo: água mais escura e funda, menos onda quebrando, às vezes uma faixa de água cor de areia ou com sujeira indo além da arrebentação. Se a corrente te pegar, fique calmo, levante um braço e peça ajuda. Uma opção é boiar e deixar a corrente te levar, porque ela pode te devolver a um banco de areia. A outra é nadar paralelo à praia ou na direção das ondas que quebram, orienta a Beachsafe. A defesa é nadar só em praia patrulhada, no horário da patrulha, entre as bandeiras vermelha e amarela.
| Bandeira | O que significa |
|---|---|
| Vermelha e amarela | Área vigiada pela patrulha. Nade entre as duas |
| Vermelha | Proibido nadar |
| Amarela | Cuidado: pode haver perigo |
| Vermelha e branca | Saia da água agora. É a bandeira usada quando aparece tubarão |
| Preta e branca | Limite da área das pranchas |
Fonte: Beachsafe, bandeiras e placas, lida em 15 de outubro de 2026.
Em New South Wales, a patrulha voluntária desta temporada vai de 26 de setembro de 2026 a 26 de abril de 2027, nos fins de semana e feriados, segundo a Surf Life Saving NSW. Durante a semana e nas férias escolares, equipes profissionais cobrem mais de 90 locais do estado, e algumas das praias mais movimentadas contam com elas o ano inteiro. O app Beachsafe mostra quais praias têm patrulha.
Tubarões
Em 2025, a base nacional de incidentes com tubarão registrou 25 casos e 5 mortes. Na década de 2016 a 2025, a média foi de 2,7 mortes por ano.
Em New South Wales, nesta temporada, o governo mantém redes em 51 praias, de setembro a março. Na temporada passada, também eram 51, todas entre Newcastle e Wollongong. Os alertas de tubarão aparecem na hora no app gratuito SharkSmart. Em Western Australia, o app é o SharkSmart WA.
O que reduz o risco, segundo a Beachsafe: evitar nadar ao amanhecer, ao entardecer e à noite, sozinho, com ferimento aberto, em água turva, perto de foz de rio, de canal, de cardume ou de onde se limpa peixe, e ficar longe das redes, marcadas por boias brancas. Em praia patrulhada, quando alguém avista um tubarão, a equipe toca sirene ou sino e sobe a bandeira vermelha e branca. Todo mundo sai da água. Para quem vai surfar no Gold Coast, o guia das melhores praias de surf da região explica as bandeiras, as correntes de retorno e o monitoramento de tubarões por drone.
Águas vivas: o norte é outro mundo
As águas vivas que podem matar vivem no norte tropical. A box jellyfish, também chamada de vespa do mar, tem corpo de até 38 cm e tentáculos de até 3 metros, quase transparentes, e aparece em águas rasas ao norte de Agnes Water, em Queensland, em todo o Northern Territory e em Western Australia até Exmouth, segundo a Beachsafe. A Irukandji costuma medir de 1 a 2 cm, é quase invisível e aparece do sul de K'gari (Fraser Island) para cima.
No norte tropical de Queensland, elas existem o ano inteiro, mas o risco é maior de novembro a maio, a chamada stinger season. Nesses meses, o governo do estado e a Surf Life Saving Queensland pedem para nadar só em praia patrulhada, dentro dos cercados de rede contra águas vivas (as stinger nets), onde houver, e com roupa de lycra de corpo inteiro (o stinger suit). No Northern Territory, a entidade de salvamento local vai além: recomenda nadar no mar só de junho a setembro, na estação seca, e mesmo assim sugere roupa de proteção, porque já houve queimaduras em todos os meses do ano.
Fora dos trópicos, a água viva mais comum é a bluebottle, parente da caravela que aparece nas praias do Brasil. Ela existe no país inteiro e aparece mais na costa leste no verão, depois de vento nordeste. Queima, e muito: o Australian Museum estima de 10 mil a 30 mil queimaduras por ano só na costa leste, mas não há nenhuma morte confirmada por ela no Hemisfério Sul. E não pegue água viva caída na areia, porque ela ainda queima.
Crocodilos: rio do norte não é piscina
O crocodilo de água salgada vive no norte do país: na costa leste, chega até Gladstone, em Queensland, e na costa oeste, desce até Carnarvon, em Western Australia, segundo o governo de Western Australia. Apesar do nome, ele também vive em água doce. Aparece em rio, lagoa, mangue, pântano, estuário, praia e mar aberto e, em alguns lugares, a centenas de quilômetros do litoral, terra adentro, avisa o governo de Queensland.
A regra de Queensland, chamada Be Crocwise, cabe numa frase: fique fora da água, a mais de 5 metros da margem, e com um obstáculo firme entre você e a água. Falta de placa não quer dizer que não haja crocodilo, e chegar perto dá multa (seção 7). Em Darwin, um lugar seguro para nadar no centro é a praia artificial do Darwin Waterfront, na Recreation Lagoon: um muro separa a praia do porto, a entrada é gratuita, há vigilância e a água é conferida com frequência para detectar águas vivas perigosas. A Wave Lagoon, a piscina de ondas do mesmo complexo, é paga.
Na poça de maré e na areia
- Polvo de anéis azuis. Tem no máximo 20 cm com os braços abertos, segundo a Beachsafe, e vive em poças de maré e recifes rasos no país inteiro. Os anéis só acendem quando ele se sente ameaçado, e a mordida costuma não doer: o primeiro sinal pode ser dormência nos lábios e na língua. O Australian Museum registra pelo menos três mortes, e respiração boca a boca feita a tempo já salvou mais de dez pessoas. Olhe, mas não pegue polvo pequeno.
- Stonefish. Parece uma pedra e tem 13 espinhos nas costas. Vive em recife, entre pedras, na lama e na areia, e a picada dói tanto que é caso de emergência. Mesmo assim, o Australian Museum não registra nenhuma morte no país desde a chegada dos europeus.
- Cone. É uma concha colorida em forma de casquinha de sorvete, com um caramujo dentro, que dispara um dardo com veneno capaz de parar a respiração. Não existe jeito seguro de manusear essa concha, avisa a Beachsafe: não pegue nenhuma nesse formato.
- Arraias. Vivem em água muito rasa no país inteiro. Ande arrastando os pés, para dar tempo de elas fugirem, e use sapato de sola grossa na água rasa, orienta a Beachsafe.
Primeiros socorros: o que muda do Brasil para a Austrália?
Resposta rápidaMudam o número de emergência e duas condutas. Ligue 000. Na picada de cobra, em qualquer parte do país, nada de lavar: bandagem firme no membro inteiro e o membro parado, o contrário do que se ensina no Brasil. Vale o mesmo para aranha grande e escura, principalmente em Sydney, em outras partes de New South Wales e no sudeste de Queensland. Na bluebottle, parente da caravela, vai água quente e nunca o vinagre que a Sobrasa, a sociedade de salvamento aquático, recomenda no Brasil. O vinagre é para as águas vivas do norte tropical. Na redback, gelo, nada de bandagem e hospital se a dor for forte, se for uma criança pequena ou se a pessoa passar mal.
Os primeiros socorros na Austrália foram pensados para os bichos de lá, e em dois casos vão contra o que se aprende no Brasil. As orientações abaixo vêm sobretudo do ANZCOR, o comitê australiano e neozelandês de ressuscitação, e da Healthdirect, o serviço de saúde do governo australiano.
| Situação | No Brasil | Na Austrália |
|---|---|---|
| Picada de cobra | O Ministério da Saúde manda lavar com água e sabão e não comprimir o membro | Não lavar. Bandagem firme sobre a picada e no membro inteiro, tala e a pessoa parada até a ambulância (ANZCOR) |
| Queimadura de caravela | A Sobrasa recomenda vinagre e compressa de água do mar gelada | Na bluebottle, nada de vinagre. Retirar os tentáculos, enxaguar com água do mar e usar água quente, a 45 °C, por 20 minutos (ANZCOR) |
| Número de emergência | 190 (polícia), 192 (SAMU) e 193 (bombeiros), segundo o Ministério das Comunicações | 000, ou 112 no celular. Ligar para o 911 não adianta, porque a chamada não vai para o 000 (governo australiano) |
Por que a picada de cobra é tratada ao contrário? No Brasil, a maior parte das picadas é de jararaca, cujo veneno age no lugar da picada, explica o Ministério da Saúde. As cobras perigosas da Austrália são de outra família, e o veneno delas chega ao sangue pelo sistema linfático. A bandagem firme e o membro parado retardam esse caminho, segundo o ANZCOR. E o veneno que fica na pele ajuda o hospital a descobrir qual cobra foi, por isso não se lava.
Picada de cobra ou de funnel web
- Afaste a pessoa da cobra ou da aranha e ligue 000 pedindo ambulância. Se o 000 não completar no celular, tente o 112.
- Mantenha a pessoa parada e calma. Ela não deve andar: o socorro vai até ela.
- Faça uma bandagem firme sobre a picada, de preferência elástica e com 10 a 15 cm de largura. Está firme quando o dedo não passa com facilidade entre a faixa e a pele. Se a picada não for em braço ou perna, troque a bandagem por pressão firme direto sobre o local, sem atrapalhar a respiração nem o movimento do peito. No pescoço e na cabeça, nada de pressão firme.
- Enfaixe o membro inteiro, dos dedos para cima, por cima da roupa se der.
- Imobilize com tala, pegando as articulações dos dois lados da picada. No braço, faça uma tipoia.
- Não tire a faixa nem a tala antes do hospital. Marque com caneta, na faixa, o lugar da picada e anote a hora.
- Se, a qualquer momento, a pessoa não responder e não respirar normalmente, comece na hora a massagem cardíaca e a respiração de resgate (RCP), mesmo que a bandagem ainda não esteja pronta: a RCP vem antes. Na picada de cobra, o veneno não passa para quem faz a RCP.
Não lave, não corte, não chupe o veneno, não faça torniquete e não tente pegar ou matar a cobra. A picada pode não doer nem deixar marca, e o ANZCOR avisa que o maior risco é um colapso com parada cardíaca, que pode vir de 10 a 60 minutos depois, na maioria das vezes antes de chegar ao hospital. Há antiveneno para todas as cobras venenosas nativas.
A mesma conduta vale para a picada de aranha grande e escura. O ANZCOR manda tratar como funnel web a picada de aranha escura com mais de 2 cm, principalmente em Sydney, nas Blue Mountains, no centro e no norte de New South Wales, nas Southern Highlands, na costa sul do estado e no sudeste de Queensland, e a Healthdirect recomenda a bandagem para qualquer pessoa picada por aranha grande, preta e peluda. Não tente capturar a aranha. Uma foto ajuda, desde que não atrase a ligação e a bandagem.
Redback e as outras aranhas
Na redback não se usa bandagem: o veneno age devagar e a pressão só aumenta a dor. Ponha gelo ou compressa fria, por no máximo 20 minutos de cada vez, e leve ao hospital se a dor for forte, se for uma criança pequena ou se a pessoa passar mal. Para as outras aranhas, inclusive a de cauda branca e a huntsman, a orientação é gelo para aliviar a dor e procurar atendimento médico se a pessoa passar mal.
Águas vivas
Box jellyfish e Irukandji, no norte tropical. Tire a pessoa da água, ligue 000 e comece a RCP se ela não responder nem respirar normalmente. Jogue vinagre no local por 30 segundos e depois retire os tentáculos. Sem vinagre, retire os tentáculos e enxágue com água do mar, nunca com água doce. Os sintomas da Irukandji, como dor forte no corpo, dor de cabeça, vômito e suor, costumam aparecer até 40 minutos depois, então quem foi queimado fica fora da água, em observação, por 45 minutos, orienta a Surf Life Saving Queensland. Ao norte de Bundaberg, em Queensland, e de Geraldton, em Western Australia, quando não dá para saber qual água viva foi, a Healthdirect manda tratar a queimadura como box jellyfish.
Bluebottle, no resto do país. Nada de vinagre e nada de esfregar. Retire os tentáculos, enxágue com água do mar e mergulhe a área em água quente, a 45 °C, por 20 minutos, sem queimar a pele. Sem água quente, use gelo num saco plástico seco. Chame ambulância se a dor não passar ou se espalhar, se a queimadura for grande ou se atingir o olho.
Stonefish, arraia, polvo e cone
Na picada de stonefish e de arraia, ligue 000 e mergulhe a mão ou o pé em água quente, mas nunca mais quente do que o socorrista suporta com conforto, sem bandagem de pressão. Se o ferrão da arraia ficar cravado, não tire. Na mordida do polvo de anéis azuis e na picada do cone, a conduta é a da cobra: bandagem firme, membro parado, 000 e, se a pessoa não responder e não respirar normalmente, RCP pelo tempo que for preciso. A paralisia pode durar horas, e a pessoa pode ouvir tudo sem conseguir se mexer.
Abelha e carrapato
Tire o ferrão da abelha o quanto antes, raspando, por exemplo, mas sem apertar a bolsinha de veneno, e ponha compressa fria. Se a pessoa tiver falta de ar, inchaço na língua ou na garganta ou tontura que não passa, pode ser anafilaxia: deite a pessoa e não deixe ela ficar de pé nem andar. Se ela estiver com dificuldade para respirar, pode ficar sentada. Aplique o autoinjetor de adrenalina na lateral da coxa, se houver, e ligue 000. Sem melhora em 5 minutos, vai uma segunda dose, orienta o ANZCOR. No carrapato, a regra australiana é congelar, não arrancar (seção 4).
Os números para salvar no celular
- 000. Polícia, bombeiros e ambulância, de graça, de telefone fixo ou de celular. Diga qual serviço você quer e onde está. O 000 não recebe SMS, avisa o governo australiano.
- 112. Só no celular. Cai no mesmo atendimento do 000, sem prioridade sobre ele. Também precisa de sinal: se nenhuma operadora tiver cobertura onde você está, nem o 000 nem o 112 completam pelo celular, segundo o governo australiano.
- 13 11 26. Poisons Information Centre, 24 horas, para qualquer dúvida sobre picada, ferroada ou envenenamento, de qualquer lugar do país.
- 1800 022 222. Healthdirect, com enfermeiro 24 horas. Se precisar de intérprete, ligue para o TIS National, no 131 450, e peça para ser transferido.
- 13 43 25 84. O 13 HEALTH, linha de enfermagem de Queensland.
Dica First GateAntes da primeira trilha ou da primeira praia, salve esses números, deixe duas bandagens elásticas largas na mochila e confira no seu seguro se ambulância e pronto atendimento estão cobertos. O guia de seguro para intercâmbio mostra o que cada seguro cobre.
Quais regras sobre animais dão multa na Austrália?
Resposta rápidaOs bichos nativos são protegidos por lei, e as regras mudam de estado para estado. Dar comida a animal em parque dá multa, chegar perto de crocodilo e de baleia tem distância mínima, mexer com quokka em Rottnest custa AUD 200 na hora e segurar coala só é permitido em alguns estados. Na chegada, declare qualquer comida, planta, semente ou produto de origem animal que estiver levando.
As regras são duras por um motivo: nos últimos dois séculos, a Austrália perdeu mais espécies de mamíferos do que qualquer outro continente, segundo o relatório oficial sobre o estado do meio ambiente. Em New South Wales, todas as aves, répteis, anfíbios e mamíferos nativos são protegidos por lei, menos o dingo, informa o governo do estado.
Dar comida: nem para o canguru nem para a cacatua
Em Victoria, dar comida a animal em parque é proibido pela regra 29 do regulamento dos parques, como lembra a Parks Victoria. A multa na hora é de 2 penalty units, a unidade que o governo usa para calcular multas, o que dá cerca de AUD 418 em 2026/27, pelas regras de infração do estado e pelo valor da unidade. Em Queensland, alimentar bicho em área protegida também é infração, e a pena máxima é a mesma para o crocodilo de água salgada, em qualquer área protegida, e para o dingo em K'gari (Fraser Island): 165 penalty units, pelo regulamento das áreas protegidas. Para o crocodilo, o governo traduz isso em multa de até AUD 28.496.
Em New South Wales, dar comida no próprio quintal não é crime, mas o governo do estado desaconselha, e, se o animal se machucar por causa disso, pode virar infração. Com ou sem multa, o motivo para não dar comida é o bicho: comida errada adoece, como mostra o caso do lorikeet, e os parques de South Australia avisam que dar comida deixa o animal agressivo. Nos santuários, a regra é a do parque: no Cleland, em Adelaide, o visitante compra um saquinho de ração na entrada e pode dar aos cangurus.
Quokka em Rottnest: foto sim, toque não
Em Rottnest Island, o regulamento da ilha, na versão de 1º de julho de 2026, prevê multa na hora de AUD 200 para quem mexe com a fauna e de AUD 150 para quem dá comida onde há placa proibindo. Na Justiça, as multas vão a AUD 1.000 e AUD 750. Tire a foto de longe e deixe o quokka em paz.
Segurar coala depende do estado
| Estado | Pode? | O que dizem as fontes |
|---|---|---|
| New South Wales | Não | Segurar coala sem credenciamento é proibido por lei no estado, informa o Featherdale. No Featherdale, o visitante faz carinho no coala com o tratador do lado |
| Victoria | Não | A licença de demonstração de fauna do estado proíbe o público de segurar o coala. Pode tirar foto ao lado e fazer carinho, se ele não estiver estressado |
| Queensland | Sim | O Lone Pine, em Brisbane, parou de oferecer em 1º de julho de 2024. O Currumbin e o Australia Zoo (AUD 134) oferecem para quem tem pelo menos 1,40 m |
| South Australia | Sim | No Cleland, AUD 89,50, a partir de 13 anos, às terças e aos sábados |
| Western Australia | Sim | No Caversham, AUD 35, para quem tem pelo menos 1,50 m |
Em 2024, a ABC, a emissora pública australiana, informou que Queensland, South Australia e Western Australia eram os únicos estados onde segurar coala continuava permitido. Os preços da tabela são só da experiência com o coala: no Australia Zoo, no Cleland e no Caversham, a entrada do parque é paga à parte.
Crocodilo, baleia e foca: distância é lei
Em Queensland, ficar a menos de 10 metros de um crocodilo em terra dá multa de AUD 864 na hora, e deixar resto de peixe ou isca onde há placa de crocodilo, AUD 518.
No mar, a distância muda de estado para estado. Em New South Wales, quem vai nadar não pode entrar na água a menos de 100 metros de uma baleia ou 50 de um golfinho e, já na água, precisa ficar a pelo menos 30 metros do animal. De barco, prancha ou caiaque, a distância é de 100 metros da baleia e 50 do golfinho, ou 300 e 150 metros se houver filhote. De jet ski, 300 metros, e de drone, 100 metros.
Em Victoria, o regulamento do estado só aceita drone num raio de 500 metros da baleia se ele estiver a 500 metros de altura ou mais, e a regra federal não deixa drone de lazer passar de 120 metros. Na prática, mantenha o drone a pelo menos 500 metros da baleia. Foca deitada na areia, em New South Wales, pede 40 metros de distância, ou 80 se houver filhote.
Bicho ferido ou filhote sozinho
Não leve para casa. Em New South Wales, só reabilitadores licenciados e veterinários podem cuidar de animal nativo ferido, e ficar com um como bicho de estimação é ilegal. O governo do estado avisa ainda que você não pode tentar resgatar cobra, morcego nem animal marinho. Com os outros bichos, ligue primeiro para o resgate e, enquanto espera, se for seguro para você e para o animal, cubra o bicho com uma toalha e ponha numa caixa em lugar escuro e quieto, sem dar comida nem água. Em Queensland, a lei manda entregar o animal ferido a um cuidador licenciado ou veterinário em até 72 horas. Ave doente ou morta não se toca: avise a linha de emergência de doenças animais, no 1800 675 888.
| Estado | Serviço | Telefone |
|---|---|---|
| New South Wales | WIRES, 24 horas | 1300 094 737 |
| Victoria | Wildlife Victoria, 24 horas | (03) 8400 7300 |
| Queensland | 1300 ANIMAL, das 7h às 19h | 1300 264 625 |
| Western Australia | Wildcare Helpline, que indica o reabilitador mais perto | (08) 9474 9055 |
| South Australia | Fauna Rescue SA | (08) 8289 0896 |
| ACT (Canberra) | ACT Wildlife, 24 horas | 0432 300 033 |
| Tasmania | Bonorong, 24 horas | 0447 264 625 |
Na chegada e na volta
Ao chegar à Austrália, declare toda comida, todo material de origem vegetal e todo produto de origem animal, como carne, embutidos, queijo, leite, ovos e remédios com ingredientes animais. O Departamento de Agricultura garante que quem declara não é punido, mesmo que o item seja proibido. Quem não declara pode levar multa de até AUD 7.280 e ter o visto cancelado, e há estudantes que já perderam o visto assim.
Na volta, lembrança feita de bicho nativo só sai do país sem licença se estiver na lista de exceções do governo e na bagagem pessoal. Estão na lista, por exemplo, concha achada na praia (menos as de tridacna e de náutilo), produto de couro de canguru e derivados do emu, como pena, casca de ovo e óleo. Fora dessa lista, coral e algumas conchas precisam de licença, avisa o departamento federal de meio ambiente.
Onde ver os animais de graça ou pagando pouco?
Resposta rápidaNas cidades de estudo, dá para ver de graça pinguins no píer de St Kilda, em Melbourne, com reserva; morcegos gigantes ao entardecer em Sydney, Melbourne e Adelaide; coalas soltos em Brisbane, no Gold Coast e em Adelaide; golfinhos em Adelaide e Perth. Nos zoológicos, a carteira de estudante nem sempre dá desconto.
| Onde | O que ver | Detalhe |
|---|---|---|
| Sydney: Cape Solander, North Head e South Head | Baleias jubarte | De maio a novembro. Em Cape Solander, junho e julho são os melhores meses. Quem vai de carro paga AUD 8 por dia na área de Kurnell, onde fica Cape Solander, e AUD 5 em North Head |
| Sydney: Centennial Park e Parramatta Park | Morcegos gigantes | Saída ao pôr do sol |
| Melbourne: píer de St Kilda | Pinguins azuis | O ano todo, à noite, só com ingresso gratuito reservado |
| Melbourne: Yarra Bend Park | Morcegos gigantes | Revoada ao pôr do sol, com plataforma de observação |
| Victoria: You Yangs Regional Park | Coalas e cangurus | A cerca de 1 hora de Melbourne. É mais fácil ver os coalas ao amanhecer e ao entardecer |
| Victoria: Kennett River, na Great Ocean Road | Coalas | Nos eucaliptos da região, além de golfinhos e focas no mar |
| Brisbane: Brisbane Koala Bushlands e Daisy Hill Koala Centre | Coalas | No Brisbane Koala Bushlands, aberto das 8h às 18h, os coalas ficam mais ativos perto da abertura e do fechamento. Em Daisy Hill, palestra sobre coalas às 11h e às 14h |
| Gold Coast: entrada do Currumbin Wildlife Sanctuary | Lorikeets | Alimentação todo dia às 8h e às 16h, antes da abertura e no fechamento do parque, sem ingresso |
| Gold Coast: Coombabah Lakelands | Coalas e cangurus | A prefeitura indica a trilha Koala |
| Perth: Heirisson Island | Cangurus | Vivem num santuário na própria ilha, no Swan River, bem no meio da cidade |
| Perth: Matilda Bay e Heathcote | Golfinhos | Cerca de 20 golfinhos vivem no Swan River e às vezes aparecem perto da margem |
| Adelaide: Adelaide Dolphin Sanctuary | Golfinhos | Golfinhos que vivem no Port River. Dá para ver o ano todo, com filhotes no verão |
| Adelaide: Morialta Conservation Park | Coalas e cangurus | Coalas nos eucaliptos perto da trilha First Falls |
| Adelaide: Botanic Park | Morcegos gigantes | Voam sobre a cidade ao entardecer |
| Arredores de Adelaide: Encounter Bay, na região de Victor Harbor | Baleia franca | De maio a setembro em Bashams Beach e de junho a outubro em Granite Island |
Os pinguins de St Kilda são o melhor programa grátis da lista, mas só com reserva. A Phillip Island Nature Parks libera os ingressos gratuitos toda terça, às 10h no horário de Melbourne, para as sessões da semana seguinte, e eles acabam rápido. Pelo site dela, são duas sessões por noite, e a primeira começa cerca de 30 minutos depois do pôr do sol. A Parks Victoria limita cada sessão a 150 pessoas. Flash desligado e lanterna proibida. Os bondes 12, 16 e 96 param perto do píer.
Em Sydney, não conte com os pinguins de Manly: a colônia é pequena e ameaçada, e o governo do estado avisa que talvez você não veja nenhum e sugere o Taronga ou o SEA LIFE Sydney Aquarium. Canguru solto, em New South Wales, aparece na área de piquenique de Pebbly Beach, no Murramarang National Park, na costa sul do estado, e o parque cobra AUD 8 por carro por dia.
| Lugar | Preço | O que saber |
|---|---|---|
| Taronga Zoo, Sydney | Adulto: AUD 57 na bilheteria ou a partir de AUD 51,30 online. Estudante: AUD 43 ou a partir de AUD 38,70 online | Exige a carteira original, e a página não diz se vale carteira emitida fora da Austrália. Ferry de Circular Quay |
| WILD LIFE Sydney Zoo, Darling Harbour | Adulto: AUD 49 no dia. Estudante: AUD 24 online, comprando com 1 dia de antecedência | O preço de estudante é só para quem está matriculado numa instituição de ensino superior reconhecida. Vale o dia todo de segunda a sexta fora das férias escolares, ou depois das 15h nos fins de semana e nas férias |
| Featherdale Sydney Wildlife Park, Doonside | Adulto: AUD 49. Tem preço reduzido para quem tem concession card (cartão de desconto), mas a página não diz se a carteira de estudante conta | Dá para dar ração na mão aos cangurus e wallabies, a AUD 5 o copo. Trem até Blacktown e ônibus 729 |
| Zoos Victoria: Melbourne Zoo, Healesville e Werribee | Adulto: a partir de AUD 58. Estudante de tempo integral: a partir de AUD 44 | A anuidade custa AUD 149, ou AUD 112 para estudante, e compensa a partir de 3 visitas no ano |
| Penguin Parade, Phillip Island | AUD 34, sem preço de estudante | Sem carro, só de táxi ou excursão: o ônibus da V/Line vai até Cowes, não até a Penguin Parade, e não tem volta para Melbourne depois do espetáculo |
| Koala Conservation Reserve, Phillip Island | AUD 17,50, sem preço de estudante | Na mesma ilha da Penguin Parade |
| Perth Zoo | Adulto: AUD 40. Quem estuda na Austrália: AUD 31,70 | Ferry de Elizabeth Quay |
| Caversham Wildlife Park, Perth | Adulto: AUD 39. Estudante: AUD 30, só com carteira de Western Australia e comprando na bilheteria | A entrada do Whiteman Park, onde ele fica, é grátis |
| Rottnest Island, Perth | Ida e volta de Fremantle no mesmo dia, com a taxa da ilha: AUD 87,50. Com desconto: AUD 82,50 | A Rottnest Express não aceita carteira de estudante emitida fora da Austrália, mas aceita ISIC. Tarifas válidas até 30 de junho de 2027 |
| Cleland Wildlife Park, Adelaide | Adulto: AUD 35,80. Estudante de tempo integral: AUD 28,60, só com carteira de estudante australiana, como avisa a página de reservas | Dá para dar ração aos cangurus e wallabies. Por causa da gripe aviária, dar comida às aves, emu incluído, está suspenso por enquanto |
| Adelaide Zoo | Adulto: AUD 49,50. Com cartão de desconto emitido pelo governo: AUD 36 | A página não diz se a carteira de estudante conta |
Preços mudam, e alguns sobem todo 1º de julho. Confira no site do lugar antes de ir. Currumbin e Lone Pine ficaram fora da tabela porque não conseguimos conferir o preço nas páginas oficiais. O Australia Zoo, no Sunshine Coast, cobra AUD 77,45 do adulto e AUD 67,45 do estudante, e a página de perguntas frequentes diz que qualquer carteira de estudante internacional válida dá direito ao preço com desconto.
Em Perth, a Penguin Island não cobra entrada, mas fecha de junho a outubro para a reprodução dos pinguins e nos dias com previsão de 35 graus ou mais. Em 15 de outubro de 2026, a balsa estava suspensa por motivo de segurança. Nunca atravesse o banco de areia a pé: já houve afogamentos.
Quando cada bicho aparece?
Resposta rápidaEm New South Wales, as jubartes passam de maio a novembro. As magpies dão voo rasante de agosto a novembro em Queensland e de julho a dezembro em Canberra. No norte tropical de Queensland, as águas vivas perigosas existem o ano todo, com risco maior de novembro a maio. As cobras aparecem mais nos meses quentes.
As datas vêm das fontes citadas ao longo do guia, e a linha dos cangurus usa os dados de uma seguradora, a AAMI.
| O quê | Quando | Onde |
|---|---|---|
| Baleias jubarte | De maio a novembro, com pico no fim de junho e em julho | New South Wales (serviço de parques do estado) |
| Baleias jubarte | Sobem de maio a julho e começam a descer em julho e agosto. Na descida, parte delas entra em Hervey Bay, de agosto a outubro | Queensland (governo do estado) |
| Baleias jubarte | De setembro ao fim de novembro, na volta para o sul | Perth (governo de Western Australia) |
| Baleias em Victoria | Franca no inverno, azul no verão e jubarte de abril a outubro | Victoria (Parks Victoria) |
| Baleia franca | De maio a setembro em Bashams Beach e de junho a outubro em Granite Island | Encounter Bay, na região de Victor Harbor, South Australia |
| Magpies | De agosto a novembro em Queensland e de julho a dezembro em Canberra, por algumas semanas em cada ninho | Cidades e parques |
| Funnel web | Verão e outono, quando os machos saem das tocas | Região de Sydney |
| Cobras | Meses quentes. No inverno, hibernam nas áreas frias e, no litoral, saem nos dias quentes | País inteiro |
| Carrapato | O ano todo. A temporada costuma ir de julho a dezembro | Litoral leste |
| Águas vivas tropicais | Em Queensland, o ano todo, com risco maior de novembro a maio. No Northern Territory, nadar no mar só de junho a setembro | Litoral tropical de Queensland (governo do estado) e Northern Territory (Surf Life Saving NT) |
| Crocodilos | O ano todo, com cuidado redobrado à noite e de setembro a abril, na reprodução | Norte de Queensland (governo do estado) |
| Crocodilos | Reprodução de novembro a maio, na época das chuvas, quando a fêmea defende o ninho | Norte de Western Australia (governo do estado) |
| Patrulha voluntária | De 26 de setembro de 2026 a 26 de abril de 2027, nos fins de semana e feriados | New South Wales |
| Cangurus na estrada | O ano todo. Em 2025, os meses com mais pedidos de indenização por batida em animal na seguradora AAMI foram junho, julho e maio | Estradas regionais |
| Pinguins | O ano todo em St Kilda e na Penguin Parade. A Penguin Island fecha de junho a outubro | Melbourne, Phillip Island e Perth |
O que os sites ainda erram sobre os animais da Austrália?
Lemos 26 páginas em português que aparecem nas buscas sobre o tema. Nenhuma dá o número de emergência nem ensina a bandagem da picada de cobra, e várias repetem erros antigos. Estes são alguns dos erros que encontramos, com o que as fontes dizem.
| O que circula | O que as fontes dizem |
|---|---|
| O antiveneno de aranha existe desde 1979 | 1979 é o ano da última morte confirmada. O antiveneno da redback é de 1956 (Australian Museum) e o da funnel web, de 1981 (Australian Reptile Park) |
| A box jellyfish grande, a vespa do mar, causa a síndrome de Irukandji | A síndrome vem de box jellyfish pequenas, como a Irukandji, que costuma medir de 1 a 2 cm e é quase invisível (Beachsafe) |
| O tubarão branco vive em toda a costa | Vive em águas temperadas. No país, foi registrado do sul de Queensland ao noroeste de Western Australia, e é incomum (Australian Museum) |
| A vespa gigante asiática vive na Austrália | Em 2020, a agência científica do governo informou que ela não estava no país (CSIRO) |
| Morcego não faz mal a ninguém | Qualquer morcego pode carregar o lyssavírus australiano, e a mordida ou o arranhão pedem atendimento (NSW Health) |
| O íbis foi trazido da China e virou praga | É ave nativa e protegida por lei em Queensland (prefeitura de Brisbane) |
| O ornitorrinco é o único mamífero que bota ovo | A equidna também bota (governo de New South Wales) |
| A doença do Tasmanian devil é um vírus | É um câncer contagioso, passado de um animal para outro pela mordida (governo da Tasmania) |
| O canguru chega a quase 80 km/h | O recorde registrado é de 64 km/h, de uma fêmea de canguru cinza (Australian Museum) |
| O Featherdale fica nas Blue Mountains | Fica em Doonside, perto de Blacktown, na região metropolitana de Sydney (Featherdale) |
Perguntas frequentes sobre os animais da Austrália
Os animais da Austrália são perigosos?
Menos do que a fama diz. De 2001 a 2021, os legistas australianos contaram 713 mortes em que um animal teve participação, uma média de 34 por ano, e os cavalos lideram, com 222. As cobras somaram 50 e os tubarões, 39. Nenhuma morte por aranha foi confirmada. O risco de verdade está na água e na estrada: em 2023/24, 300 pessoas morreram afogadas no país e 1.494 em acidentes de transporte, segundo o AIHW, o instituto de saúde do governo federal. Na praia, o que mais mata é a corrente de retorno, com 21 mortes por ano, em média, segundo a Surf Life Saving Australia.
Qual é o animal mais perigoso da Austrália?
Pelos números dos legistas, o cavalo, que esteve em 222 das 713 mortes ligadas a animais de 2001 a 2021, a maioria em quedas. Depois vêm bois e vacas (92 mortes), cães (82), cangurus (53, todas em acidente com veículo), cobras (50), abelhas (45, por alergia), tubarões (39) e crocodilos (25).
Por que a Austrália tem tantos animais diferentes e perigosos?
Diferentes, porque o continente ficou isolado. Depois que se separou do antigo supercontinente Gondwana, há cerca de 40 milhões de anos, os mamíferos de lá evoluíram por muito tempo sem contato com os do resto do mundo, e hoje mais de 80% deles não existem em nenhum outro lugar, explica o Australian Museum. Perigosos, nem tanto. O país tem 20 das 25 cobras mais venenosas do mundo, segundo a Healthdirect, mas esse ranking mede a força do veneno, não o risco. Na prática, de uma a quatro pessoas morrem por ano picadas por cobra no país.
Ainda morre gente picada por aranha na Austrália?
Não. A última morte confirmada foi em 1979, segundo o Australian Museum. O antiveneno da redback existe desde 1956 e o da funnel web, desde 1981. Mesmo assim, picada de aranha grande e escura é emergência, principalmente em Sydney, em outras partes de New South Wales e no sudeste de Queensland: ligue 000, mantenha a pessoa parada e faça bandagem firme no membro.
É verdade que chove aranha na Austrália?
Às vezes parece. Algumas aranhas soltam fios finos de seda que pegam o vento e as levam pelo ar, o que os cientistas chamam de ballooning, explica o Australian Museum. Das cerca de 3.600 espécies de aranha do país, poucas fazem mal às pessoas, e a huntsman, a aranha grande que aparece dentro de casa, assusta mais do que machuca.
Quais são os animais típicos da Austrália?
Entre os animais típicos estão o canguru e o emu, que aparecem no brasão do país, além do coala, do wombat, do ornitorrinco, da equidna, do quokka, do kookaburra e do Tasmanian devil. O país abriga metade das espécies de marsupiais do mundo, segundo o relatório oficial sobre o estado do meio ambiente.
Tem mais canguru do que gente na Austrália?
Tem. Só nas áreas em que o governo conta os cangurus para controlar a caça comercial, em cinco estados, havia mais de 32 milhões de cangurus vermelhos e cinza em 2023. O país inteiro tinha 27,9 milhões de habitantes em março de 2026, segundo o ABS.
Tem cobra nas cidades australianas?
Tem, sobretudo perto de mato. A eastern brown, a cobra que mais mata no país, aparece na periferia das cidades grandes do leste, escondida sob troncos, pedras e material de construção, segundo o Australian Museum. Se vir uma, se afaste devagar e deixe ela ir embora. Muitas picadas acontecem quando alguém tenta matar a cobra.
O que fazer se alguém for picado por cobra na Austrália?
Ligue 000 e mantenha a pessoa parada. Faça uma bandagem elástica firme sobre a picada e depois no membro inteiro, imobilize com tala e não tire nada até o hospital. Não lave o local, não corte, não chupe o veneno e não faça torniquete. No Brasil, o Ministério da Saúde manda o contrário: lavar a picada e tirar tudo que aperte o membro. A regra muda porque as cobras perigosas da Austrália têm outro tipo de veneno.
Vinagre serve para queimadura de água viva na Austrália?
Depende da água viva. No norte tropical, onde vivem a box jellyfish e a Irukandji, o vinagre por 30 segundos faz parte dos primeiros socorros, junto com a ligação para o 000. Na bluebottle, a mais comum no resto do país, vinagre não: retire os tentáculos, enxágue com água do mar e use água quente, a 45 °C, por 20 minutos.
É seguro nadar no mar na Austrália?
É, se você nadar em praia patrulhada, entre as bandeiras vermelha e amarela. As correntes de retorno matam 21 pessoas por ano, em média, e os tubarões mataram 2,7 por ano de 2016 a 2025. Em 2024/25, nenhum dos 154 afogamentos no litoral aconteceu entre as bandeiras, no horário da patrulha. No norte de Queensland, de novembro a maio, nade dentro dos cercados de rede contra águas vivas e com roupa de lycra. No Northern Territory, a Surf Life Saving NT recomenda nadar no mar só de junho a setembro, na estação seca. No norte do país, também há crocodilo na praia e no mar.
Pode segurar coala na Austrália?
Depende do estado. Em New South Wales, segurar coala sem credenciamento é proibido por lei, e em Victoria a licença de demonstração de fauna não permite. Queensland, South Australia e Western Australia permitem, em parques como Currumbin, Australia Zoo, Cleland e Caversham, com regras de altura ou de idade. O Lone Pine, em Brisbane, parou de oferecer em 1º de julho de 2024.
Canguru ataca pessoas?
Raramente. O governo de New South Wales diz que o encontro com canguru só em casos muito raros termina em ferimento, mas avisa que um canguru adulto pode causar ferimentos graves. As 53 mortes envolvendo canguru de 2001 a 2021 foram todas acidentes com veículo, segundo o NCIS. Observe de longe, não dê comida e, na estrada, redobre a atenção à noite, ao entardecer e ao amanhecer, quando eles ficam mais ativos.
Onde ver cangurus e coalas de graça na Austrália?
Em parques públicos, sem ingresso: coalas no Brisbane Koala Bushlands e no Daisy Hill Koala Centre, em Brisbane; coalas e cangurus no Morialta Conservation Park, em Adelaide, e no You Yangs Regional Park, perto de Melbourne; cangurus em Heirisson Island, em Perth. Em Melbourne, os pinguins do píer de St Kilda também são grátis, mas só com ingresso reservado.
Qual é o número de emergência na Austrália?
É o 000, para polícia, bombeiros e ambulância, de graça, de fixo ou de celular. No celular, o 112 também funciona e cai no mesmo atendimento. Não ligue para o 911: a ligação não é transferida para o 000. Para dúvida sobre picada, ferroada ou envenenamento, ligue para o Poisons Information Centre, no 13 11 26, que atende 24 horas.
Os bichos dentro do planejamento do intercâmbio
Os animais são uma parte pequena da adaptação, mas ajudam a decidir coisas grandes, como a cidade e o seguro. A ordem que funciona é esta:
- Escolha a cidade. O guia de intercâmbio na Austrália compara as cidades, e o de clima nas cidades australianas mostra onde o calor é tropical, que é onde moram as águas vivas perigosas e os crocodilos. Se a dúvida for entre Sydney e Melbourne, os guias de intercâmbio em Sydney e de intercâmbio em Melbourne detalham cada cidade.
- Confira o seguro. O guia de seguro para intercâmbio explica o que o seguro do visto cobre numa emergência.
- Entenda o jeito local. Os costumes da Austrália mostram como os australianos convivem com os bichos e com a praia.
- Planeje a praia e o tempo livre. O guia do que fazer de graça em Sydney tem praias, parques e museus. No Gold Coast, o guia das praias de surf mostra o nível de cada pico.
Quer chegar preparado?
A First Gate acompanha estudantes brasileiros desde 2013, da escolha da cidade e do seguro até a chegada. Se você ainda está decidindo se a Austrália combina com você, a gente conversa.
Fale com a First Gate →Fontes e última verificação · 189 fontes
Os números, regras e preços desta página foram conferidos nas fontes abaixo em 15 e 16 de outubro de 2026. Preço, temporada e regra mudam: antes de ir, confira no site oficial.
Risco e estatística
- NCIS, mortes ligadas a animais na Austrália, ficha de novembro de 2024
- AIHW, contato com pessoas, plantas e animais
- AIHW, tabelas de internações e mortes por lesão (junho de 2026)
- Taronga, Australian Shark Incident Database
- Surf Life Saving Australia, pesquisa sobre correntes de retorno
- Royal Life Saving Australia e Surf Life Saving Australia, National Drowning Report 2026
- Surf Life Saving Australia, National Coastal Safety Report 2025
- Australian Museum, Inland Taipan
- Taronga, resumo anual de 2025
Primeiros socorros e emergência
- Healthdirect, picada de cobra
- ANZCOR, diretriz 9.4.1, picada de cobra
- ANZCOR, diretriz 9.4.5, animais marinhos
- Governo australiano, outros números de emergência
- ANZCOR, diretriz 9.4.8, bandagem de pressão e imobilização
- ANZCOR, diretriz 9.4.2, picada de aranha
- Healthdirect, picada de aranha
- Healthdirect, queimadura de água viva
- ANZCOR, diretriz 9.2.7, anafilaxia
- Governo australiano, Triple Zero
- NSW Poisons Information Centre
- Healthdirect, envenenamento
- Healthdirect, contato
- Governo de Queensland, 13 HEALTH
Praia, mar e rio
- Beachsafe, correntes de retorno
- Beachsafe, bandeiras e placas
- Surf Life Saving NSW, perguntas frequentes
- Governo de NSW, vigilância de tubarões 2026/27 (setembro de 2026)
- Governo de NSW, redes e drones no verão (janeiro de 2026)
- Governo de NSW, SharkSmart
- Governo de WA, app SharkSmart WA
- Beachsafe, tubarões
- Beachsafe, box jellyfish
- Beachsafe, Irukandji
- Governo de Queensland, perigos marinhos
- Surf Life Saving Queensland, segurança no norte do estado
- Surf Life Saving NT, segurança na praia
- Australian Museum, Bluebottle
- Governo de WA (DBCA), guia sobre crocodilos
- Governo de Queensland, onde há crocodilos
- Governo de Queensland, Be Crocwise
- Governo do NT, Darwin Waterfront
- Governo do NT, Wave Lagoon do Darwin Waterfront
- Beachsafe, polvo de anéis azuis
- Australian Museum, polvo de anéis azuis
- Australian Museum, Reef Stonefish
- Beachsafe, cone
- Beachsafe, arraias
- Surf Life Saving Queensland, águas vivas
- Australian Museum, White Shark
Terra e cidade
- Australian Museum, Australian White Ibis
- Prefeitura de Brisbane, Living with wildlife (Ibis)
- Klump e colegas, Science, 2021
- Australian Museum, Sulphur crested Cockatoo
- Governo de NSW, o perigo de alimentar lorikeets
- Australian Museum, Laughing Kookaburra
- Governo de Queensland, aves que dão voo rasante
- Access Canberra, animais e fauna
- Australian Museum, Australian Magpie
- Cilento e Jones, Emu, 1999
- Governo de NSW, Australian Magpie
- Governo de NSW, flying foxes
- NSW Health, raiva e lyssavírus australiano
- NSW Health, alerta aos médicos sobre lyssavírus (julho de 2025)
- NSW Health, alerta sobre morcegos (12 de outubro de 2026)
- Governo de NSW, possum no telhado
- Australian Museum, Huntsman Spiders
- Isbister e Hirst, Toxicon, 2003
- Isbister e Gray, Medical Journal of Australia, 2003
- Governo de NSW, cobras
- Australian Museum, Eastern Brown Snake
- Governo de Queensland, convivendo com cobras
- Australian Museum, Sydney Funnel web Spider
- Australian Reptile Park, programa de veneno de aranha
- Australian Museum, Redback Spider
- Governo australiano, paralisia por picada de carrapato
- ASCIA, alergia a carne de mamífero
- ASCIA, alergia a carrapato
- Governo de NSW, cangurus e wallabies
- AAMI, colisões com animais (junho de 2026)
Curiosidades
- Australian Museum, mamíferos endêmicos
- State of the Environment 2021, flora e fauna
- DCCEEW, população de cangurus nas áreas de caça comercial (2023)
- ABS, população em março de 2026
- DCCEEW, comércio de fauna nativa
- Australian Museum, Red Kangaroo
- Parliamentary Education Office, símbolos nacionais
- Governo de NSW, coala
- Governo de Queensland, fatos sobre o coala
- DCCEEW, coala na lista federal de espécies ameaçadas
- CSIRO, dez fatos sobre wombats
- Yang e colegas, Soft Matter, 2021
- Improbable Research, vencedores do IgNobel
- Australian Museum, Bare nosed Wombat
- Governo de NSW, ornitorrinco
- Australian Museum, Platypus
- Governo de NSW, equidnas
- Australian Museum, Quokka
- Australian Museum, Emu
- Kofron, Journal of Zoology, 1999
- Governo de Queensland, segurança com casuares
- Governo da Tasmania, perguntas sobre o Tasmanian devil
- Wroe, McHenry e Thomason, Proceedings of the Royal Society B, 2005
- Governo da Tasmania, o câncer facial do Tasmanian devil
- Australian Museum, aranhas
- State of the Environment 2021, biodiversidade
- Australian Museum, fatos sobre aranhas
- CSIRO Double Helix, vespa gigante asiática
- Australian Museum, Eastern Grey Kangaroo
Regras e multas
- Parks Victoria, observação de fauna
- Governo de Queensland, segurança com dingos em K'gari (março de 2024)
- Victoria, National Parks Regulations 2024
- Victoria, Conservation, Forests and Lands (Infringement Notice) Regulations 2023
- Governo de Victoria, valor da penalty unit em 2026/27
- Queensland, Nature Conservation (Protected Areas Management) Regulation 2024
- Governo de Queensland, multas sobre crocodilos
- Governo de NSW, convivendo com animais nativos
- Parks SA, Morialta Conservation Park
- Western Australia, Rottnest Island Regulations 1988 (versão de 1º de julho de 2026)
- Featherdale Sydney Wildlife Park, visita e perguntas frequentes
- Governo de Victoria, guia da licença de demonstração de fauna
- Lone Pine Koala Sanctuary, comunicado sobre o fim da experiência de segurar coala (2024)
- Currumbin Wildlife Sanctuary, foto com coala
- Australia Zoo, Cuddly Koala Encounter
- Cleland Wildlife Park, Hold a Koala
- Caversham Wildlife Park, coala no colo
- ABC, reportagem sobre segurar coala no colo (julho de 2024)
- Governo de NSW, distâncias de baleias e golfinhos
- Victoria, Wildlife (Marine Mammals) Regulations 2019
- CASA, regras para drones de lazer
- Governo de NSW, distâncias de focas
- Governo de NSW, animal nativo doente ou ferido
- Governo de Queensland, fauna ferida
- WIRES, resgate de fauna em New South Wales
- Wildlife Victoria
- Governo de WA (DBCA), Wildcare Helpline
- Fauna Rescue SA
- ACT Wildlife
- Governo da Tasmania, serviços de resgate de fauna
- Departamento de Agricultura, estudar na Austrália
- List of Exempt Native Specimens Instrument 2001
- DCCEEW, viajantes e compras
Onde ver e preços
- Queensland Parks, David Fleay Wildlife Park
- NSW National Parks, Cape Solander
- NSW National Parks, Sydney Harbour National Park
- NSW National Parks, área de Kurnell
- Centennial Parklands, morcegos
- Greater Sydney Parklands, colônia de Parramatta Park
- Phillip Island Nature Parks, pinguins de St Kilda
- Parks Victoria, Yarra Bend Park
- Parks Victoria, You Yangs Regional Park
- Great Ocean Road Coast and Parks Authority, Kennett River
- Prefeitura de Brisbane, Brisbane Koala Bushlands
- Queensland Parks, Daisy Hill Koala Centre
- Currumbin Wildlife Sanctuary, alimentação dos lorikeets
- Prefeitura do Gold Coast, Coombabah Lakelands
- Explore Parks WA, Heirisson Island
- Explore Parks WA, Matilda Bay Reserve
- Explore Parks WA, Heathcote
- Parks SA, Adelaide Dolphin Sanctuary
- Prefeitura de Adelaide, flying foxes
- Parks SA, Encounter Marine Park
- Parks SA, Granite Island Recreation Park
- Parks Victoria, pinguins de St Kilda
- Governo de NSW, os pinguins de Manly
- NSW National Parks, Pebbly Beach
- Taronga Zoo, preços
- WILD LIFE Sydney Zoo, desconto de estudante
- Zoos Victoria, ingressos
- Phillip Island Nature Parks, Penguin Parade
- Phillip Island Nature Parks, Koala Conservation Reserve
- Perth Zoo, ingressos
- Caversham Wildlife Park, preços
- Caversham Wildlife Park, página inicial
- Rottnest Express, termos e condições
- Rottnest Express, tarifas
- Cleland Wildlife Park, preços
- Parks SA, reservas do Cleland Wildlife Park
- Adelaide Zoo, ingressos
- Adelaide Zoo, informações ao visitante
- Australia Zoo, ingressos
- Australia Zoo, perguntas frequentes
- Explore Parks WA, Penguin Island
- Rockingham Wild Encounters, balsa para a Penguin Island
- NSW National Parks, migração das baleias
- Governo de Queensland, observação de baleias
- Governo de WA (DBCA), guia de observação de baleias
Brasil
