Malta, o arquipélago mais antigo e improvável do Mediterrâneo
Templos mais velhos que as pirâmides, um falcão de aluguel e um cerco que mudou a Europa: a ilha que cabe numa cidade e guarda sete mil anos de história.
Since 2013, turning international plans into real experiences.
Você sabia que Malta tem templos mais antigos que as pirâmides do Egito, o inglês entre os idiomas oficiais e um dos menores territórios da Europa? O arquipélago inteiro tem apenas 316 km², cabe folgadamente dentro de uma cidade grande, mas guarda quase sete mil anos de história e virou um dos destinos favoritos dos brasileiros para fazer intercâmbio de inglês.
Fenícios, romanos, árabes, normandos, cavaleiros, franceses e britânicos: todos passaram por aqui e deixaram marca. É justamente essa mistura de história milenar, clima mediterrâneo e facilidade para estudar inglês que faz tanta gente escolher Malta. Reunimos, no melhor estilo "você sabia?", os fatos que um bom historiador não deixaria de contar, e que também explicam por que a ilha caiu no gosto de quem quer estudar fora.
Templos mais antigos que as pirâmides do Egito
Comecemos pelo mais impressionante. Espalhados por Malta e pela ilha vizinha de Gozo estão os Templos Megalíticos de Malta, um conjunto de construções erguidas entre cerca de 3600 e 2500 a.C. Isso significa que o templo de Ġgantija, em Gozo, é mais antigo que as pirâmides de Gizé e que Stonehenge, e figura entre as estruturas independentes (isto é, de pé, sem apoio) mais antigas já construídas pelo ser humano.
O detalhe que arrepia qualquer arqueólogo: esses templos foram levantados sem metal, sem roda e sem animais de tração. Comunidades neolíticas moveram blocos de calcário de dezenas de toneladas e os encaixaram com paredes em corbel (falsas abóbadas), criando espaços monumentais milênios antes da Grécia clássica. Sete desses templos formam hoje um Patrimônio Mundial da UNESCO, inscrito em 1980 e ampliado em 1992.

E há um capítulo subterrâneo: o Hipogeu de Ħal Saflieni, em Paola, é uma necrópole escavada na rocha em três níveis, do período neolítico. É o único templo pré-histórico subterrâneo conhecido no mundo, com câmaras em ocre vermelho e uma acústica que ainda intriga pesquisadores. Para proteger o ambiente frágil, o número de visitantes por dia é rigorosamente limitado.
Malta já foi "alugada" por um falcão por ano
Salte alguns milênios. Em 1530, o imperador Carlos V entregou Malta à Ordem de São João de Jerusalém, os célebres Cavaleiros Hospitalários, então sem território após serem expulsos de Rodes pelos otomanos. O preço simbólico do arrendamento perpétuo era pitoresco: um falcão maltês entregue todo ano.
Os Cavaleiros transformaram o arquipélago. Trouxeram engenheiros, artistas, hospitais e, sobretudo, fortificações que redesenharam a paisagem, muitas ainda de pé, e que hoje são cenário perfeito pra quem gosta de andar por uma cidade que parece um museu a céu aberto.
Curiosidade de cinema: foi justamente esse tributo do falcão que, séculos depois, inspiraria o título do clássico do cinema noir "O Falcão Maltês" (1941), com Humphrey Bogart.
Um cerco em 1565 mudou o rumo da Europa
O grande teste veio em 1565. O Império Otomano, no auge de seu poder sob Solimão, o Magnífico, lançou sobre Malta uma força estimada em dezenas de milhares de soldados. Do outro lado, cerca de 500 a 700 cavaleiros e alguns milhares de soldados espanhóis e milicianos malteses, somando entre 6.000 e 9.000 defensores, superados na proporção de pelo menos quatro para um.
O Grande Cerco de Malta durou de 18 de maio a 8 de setembro de 1565, quase quatro meses de combates brutais sob o sol do verão mediterrâneo. Contra todas as probabilidades, os defensores resistiram. A vitória teve peso continental: barrou o avanço otomano no Mediterrâneo ocidental e virou símbolo da resistência europeia.
Da vitória nasceu uma cidade. O grão-mestre Jean Parisot de la Valette mandou erguer, sobre o monte Sciberras, uma capital-fortaleza planejada do zero, batizada em sua homenagem: Valletta. Foi uma das primeiras cidades da Europa desenhada em traçado de grelha, pensada para a defesa e para a água corrente.
.jpg?width=1400)
A única língua semítica escrita em alfabeto latino
Aqui está uma das raridades linguísticas do mundo. O maltês é a única língua semítica oficialmente escrita em alfabeto latino, e a única língua de raiz semítica entre os idiomas oficiais da União Europeia.
Sua origem está no árabe siciliano que chegou à ilha na Idade Média, depois recoberto por séculos de influência italiana e siciliana e, mais tarde, inglesa. O resultado é fascinante: um idioma com gramática e esqueleto semíticos, vocabulário fortemente romano e empréstimos ingleses, tudo grafado com as letras que você está lendo agora. Junto com o maltês, o inglês é língua oficial do país, herança do longo período britânico, e é isso que faz de Malta um dos destinos preferidos do mundo para estudar inglês: você aprende num ambiente em que o idioma está nas placas, nas aulas e no dia a dia. (Curioso com o sotaque local? Veja as gírias e expressões do inglês de Malta.)

Quer estudar inglês num país onde ele é língua oficial?
A First Gate cuida de escola, acomodação, documentação e chegada, pra você viver Malta sabendo o que fazer desde o dia 1.
São Paulo teria naufragado em Malta
A tradição cristã tem raízes fundas por ali. Segundo os Atos dos Apóstolos, por volta do ano 60 d.C. o apóstolo Paulo naufragou nas costas maltesas a caminho de Roma e teria passado três meses na ilha. O episódio é tão central à identidade nacional que dá nome a igrejas, baías e festas populares até hoje, e ajuda a explicar por que Malta é um dos países mais católicos da Europa.
A maior obra assinada por Caravaggio está em Malta
No início do século XVII, o genial e turbulento pintor Caravaggio fugiu para Malta e foi acolhido pelos Cavaleiros. Em cerca de 15 meses de estadia, produziu várias telas. A mais célebre está na Concatedral de São João, em Valletta: "A Decapitação de São João Batista", a maior tela que Caravaggio pintou e a única que ele assinou.
O detalhe genial: Caravaggio escondeu a sua assinatura no sangue que escorre do santo, o único autógrafo conhecido em toda a sua obra. E a catedral inteira é um espetáculo barroco, com o chão coberto de lápides de mármore policromado.
A única nação condecorada com a George Cross
Avancemos para a Segunda Guerra Mundial. Por sua posição estratégica entre a Europa e o Norte da África, Malta foi um dos lugares mais bombardeados do conflito, sob cerco aeronaval de Itália e Alemanha. A população civil enfrentou fome e ataques quase diários com uma resiliência que impressionou o mundo.
Em abril de 1942, o rei George VI concedeu a George Cross, a mais alta honraria britânica para bravura civil, à ilha inteira, algo inédito.
Está na bandeira até hoje: a medalha foi incorporada à bandeira de Malta já em 1943 e continua lá, no canto superior esquerdo. Malta é o único país do mundo a exibir essa condecoração em seu pavilhão nacional.
A menor capital da UE já foi cenário de Hollywood
Valletta é a menor capital da União Europeia, com cerca de 0,61 km², e mesmo assim abriga mais de 320 monumentos em suas ruas em ladeira. A cidade toda é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1980.
O casario dourado, as muralhas e a vizinha cidade medieval de Mdina, a "Cidade do Silêncio" e antiga capital, transformaram Malta em um dos sets de filmagem mais requisitados do mundo. Por ali passaram produções como Gladiador, Troia, Munique e a primeira temporada de Game of Thrones, que usou Malta como a King's Landing original. Há até uma vila inteira construída em 1980 para o filme Popeye, hoje virada parque temático.
- Dirige-se pela esquerda, herança direta do domínio britânico.
- Não há rios nem lagos naturais permanentes no arquipélago; a água sempre foi um tesouro estratégico.
- É um dos países mais densamente povoados do mundo, com pouco mais de meio milhão de habitantes.
- Está entre os países mais ensolarados da Europa, com clima mediterrâneo o ano todo.
- A antiga Ordem de São João sobrevive como a Soberana Ordem de Malta, sediada em Roma, um sujeito de direito internacional sem território próprio.
- Malta entrou na União Europeia em 2004, no Espaço Schengen em 2007 e adotou o euro em 2008.
- 3600 a.C.Erguem-se os templos megalíticos de Ġgantija e outros, os mais antigos do mundo.
- ~60 d.C.São Paulo naufraga em Malta a caminho de Roma, segundo os Atos dos Apóstolos.
- 1530Carlos V entrega a ilha à Ordem de São João, em troca de um falcão por ano.
- 1565O Grande Cerco: os Cavaleiros resistem aos otomanos e nasce Valletta.
- 1798Napoleão ocupa Malta por um breve período a caminho do Egito.
- 1800–1964Domínio britânico, que deixa o inglês, a mão inglesa e a George Cross.
- 1964Independência; em 1974, Malta se torna república.
- 2004–2008Entra na União Europeia, no Schengen e adota o euro.
O que quase todo mundo pergunta sobre Malta
Onde fica Malta?
Malta é um pequeno arquipélago no centro do mar Mediterrâneo, ao sul da Sicília (Itália) e a norte da costa do Norte da África. São três ilhas principais habitadas: Malta, Gozo e Comino.
Qual idioma se fala em Malta?
As línguas oficiais são o maltês e o inglês. O maltês é a única língua semítica escrita em alfabeto latino, e o inglês, oficial desde o período britânico, é falado em todo o país, o que facilita muito a vida de quem vai estudar por lá.
Malta faz parte da União Europeia?
Sim. Malta entrou na União Europeia em 1º de maio de 2004, passou a integrar o Espaço Schengen em dezembro de 2007 e adotou o euro como moeda em 1º de janeiro de 2008.
Malta tem templos mais antigos que as pirâmides?
Sim. O templo de Ġgantija, em Gozo, foi erguido por volta de 3600 a.C., séculos antes das pirâmides de Gizé e de Stonehenge, e está entre as estruturas independentes mais antigas do mundo.
É seguro morar em Malta?
Malta costuma aparecer entre os países mais seguros da Europa, com baixos índices de criminalidade violenta e uma vida bastante tranquila para estudantes internacionais. Como em qualquer destino, valem os cuidados normais com pertences em áreas movimentadas.
Vale a pena fazer intercâmbio em Malta?
Para muitos brasileiros, sim: o inglês é língua oficial, o clima é ensolarado o ano todo e o custo de vida costuma ser mais acessível que o de outros destinos europeus, tudo dentro da União Europeia. Se estiver planejando, veja também o nosso guia de transporte em Malta.
Gostou de conhecer Malta?
Como o inglês é língua oficial e o custo de vida é mais acessível que o de outros destinos europeus, Malta virou uma das melhores portas de entrada do mundo para estudar inglês e viver uma experiência internacional com história em cada passo.
Se você quer entender quais cursos, vistos e caminhos fazem sentido para o seu perfil, o time da First Gate te ajuda a planejar o seu intercâmbio do jeito certo, do primeiro e-mail à chegada na ilha.
Falar com a First Gate →Fontes e leituras recomendadas: UNESCO (Templos Megalíticos de Malta, Hipogeu de Ħal Saflieni); Encyclopaedia Britannica (Malta); Wikipedia (Great Siege of Malta, Award of the George Cross to Malta, Maltese language, Valletta); União Europeia (Malta na UE). Imagens: Wikimedia Commons. Dados verificados em julho de 2026.
