Você sabia? Malta, o arquipélago mais antigo e improvável do Mediterrâneo

Você sabia? Malta, o arquipélago mais antigo e improvável do Mediterrâneo

Templos mais velhos que as pirâmides, um falcão de aluguel, o cerco que mudou a Europa e a única língua semítica escrita em alfabeto latino: a história e as curiosidades de Malta que quase ninguém conhece.

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Valletta, a capital de Malta, ao pôr do sol

Poucos lugares do planeta concentram tanta história em tão pouco espaço. Malta tem apenas 316 km², cabe folgadamente dentro de uma cidade grande, e ainda assim foi cobiçada por fenícios, romanos, árabes, normandos, cavaleiros, franceses e britânicos. É um arquipélago que guarda os templos de pedra mais antigos já erguidos pela humanidade, que resistiu a um dos maiores cercos militares da Idade Moderna e que, no século XX, virou a única nação a receber uma medalha de bravura por inteiro.

Se você acha que conhece o Mediterrâneo, prepare-se: Malta é feita de surpresas. Reunimos aqui, no melhor estilo "você sabia?", os fatos e as histórias que um bom historiador não deixaria de contar.

Você sabia que Malta tem templos mais antigos que as pirâmides do Egito?

Comecemos pelo mais impressionante. Espalhados por Malta e pela ilha vizinha de Gozo estão os Templos Megalíticos de Malta, um conjunto de construções erguidas entre cerca de 3600 e 2500 a.C. Isso significa que o templo de Ġgantija, em Gozo, é mais antigo que as pirâmides de Gizé e que Stonehenge, e figura entre as estruturas independentes (isto é, de pé, sem apoio) mais antigas já construídas pelo ser humano.

O detalhe que arrepia qualquer arqueólogo: esses templos foram levantados sem metal, sem roda e sem animais de tração. Comunidades neolíticas moveram blocos de calcário de dezenas de toneladas e os encaixaram com paredes em corbel (falsas abóbadas), criando espaços monumentais milênios antes da Grécia clássica. Sete desses templos formam hoje um Patrimônio Mundial da UNESCO, inscrito em 1980 (a partir de Ġgantija) e ampliado em 1992.

E há mais um capítulo subterrâneo. O Hipogeu de Ħal Saflieni, em Paola, é uma necrópole escavada na rocha em três níveis, também do período neolítico (por volta de 3300–2500 a.C.). É o único templo pré-histórico subterrâneo conhecido no mundo, com câmaras cobertas de pinturas em ocre vermelho e uma acústica tão peculiar que ainda intriga pesquisadores. Para proteger o ambiente frágil, o número de visitantes por dia é rigorosamente limitado.

Você sabia que Malta já foi "alugada" por um falcão por ano?

Salte alguns milênios. Em 1530, o imperador Carlos V entregou Malta à Ordem de São João de Jerusalém, os célebres Cavaleiros Hospitalários, então sem território após serem expulsos de Rodes pelos otomanos. O preço simbólico do arrendamento perpétuo era pitoresco: um falcão maltês entregue todo ano. Sim, o mesmo tributo que, séculos depois, inspiraria o título do clássico do cinema noir "O Falcão Maltês".

Os Cavaleiros transformaram o arquipélago. Trouxeram engenheiros, artistas, hospitais e, sobretudo, fortificações que redesenharam a paisagem, muitas ainda de pé.

Você sabia que um cerco em 1565 mudou o rumo da Europa?

O grande teste veio em 1565. O Império Otomano, no auge de seu poder sob Solimão, o Magnífico, lançou sobre Malta uma força estimada em dezenas de milhares de soldados. Do outro lado, cerca de 500 a 700 cavaleiros e alguns milhares de soldados espanhóis e milicianos malteses, somando entre 6.000 e 9.000 defensores, superados na proporção de pelo menos quatro para um.

O Grande Cerco de Malta durou de 18 de maio a 8 de setembro de 1565, quase quatro meses de combates brutais sob o sol do verão mediterrâneo. Contra todas as probabilidades, os defensores resistiram. A vitória teve peso continental: barrou o avanço otomano no Mediterrâneo ocidental e virou símbolo da resistência europeia. Voltaire chegaria a dizer que "nada é mais conhecido que o cerco de Malta".

Da vitória nasceu uma cidade. O grão-mestre Jean Parisot de la Valette mandou erguer, sobre o monte Sciberras, uma capital-fortaleza planejada do zero, batizada em sua homenagem: Valletta. Foi uma das primeiras cidades da Europa desenhada em traçado de grelha, pensada para a defesa e para a água corrente.

Você sabia que os malteses falam a única língua semítica escrita em alfabeto latino?

Aqui está uma das raridades linguísticas do mundo. O maltês é a única língua semítica oficialmente escrita em alfabeto latino, e a única língua de raiz semítica entre os idiomas oficiais da União Europeia.

Sua origem está no árabe siciliano que chegou à ilha na Idade Média, depois recoberto por séculos de influência italiana e siciliana e, mais tarde, inglesa. O resultado é fascinante: um idioma com gramática e esqueleto semíticos, vocabulário fortemente romano e empréstimos ingleses, tudo grafado com as letras que você está lendo agora. Junto com o maltês, o inglês é língua oficial do país, herança do longo período britânico, o que faz de Malta um dos destinos preferidos do mundo para estudar inglês.

Você sabia que São Paulo teria naufragado em Malta?

A tradição cristã tem raízes fundas por ali. Segundo os Atos dos Apóstolos, por volta do ano 60 d.C. o apóstolo Paulo naufragou nas costas maltesas a caminho de Roma e teria passado três meses na ilha. O episódio é tão central à identidade nacional que dá nome a igrejas, baías e festas populares até hoje, e ajuda a explicar por que Malta é um dos países mais católicos da Europa.

Você sabia que a maior obra assinada por Caravaggio está em Malta?

No início do século XVII, o genial e turbulento pintor Caravaggio fugiu para Malta e foi acolhido pelos Cavaleiros. Em cerca de 15 meses de estadia, produziu várias telas. A mais célebre está na Concatedral de São João, em Valletta: "A Decapitação de São João Batista", a maior tela que Caravaggio pintou e a única que ele assinou, com a assinatura escondida no sangue que escorre do santo. Só por essa obra a visita já valeria a viagem, mas a catedral inteira é um espetáculo barroco, com o chão coberto de lápides de mármore policromado.

Você sabia que Malta é a única nação condecorada com a George Cross?

Avancemos para a Segunda Guerra Mundial. Por sua posição estratégica entre a Europa e o Norte da África, Malta foi um dos lugares mais bombardeados do conflito, sob cerco aeronaval de Itália e Alemanha. A população civil enfrentou fome e ataques quase diários com uma resiliência que impressionou o mundo.

Em abril de 1942, o rei George VI concedeu a George Cross, a mais alta honraria britânica para bravura civil, à ilha inteira, algo inédito. A medalha foi incorporada à bandeira de Malta já em 1943 e continua lá, no canto superior esquerdo, até hoje. Malta é o único país do mundo a exibir essa condecoração em seu pavilhão nacional.

Você sabia que a menor capital da União Europeia já foi cenário de Hollywood?

Valletta é a menor capital da União Europeia, com cerca de 0,61 km², e mesmo assim abriga mais de 320 monumentos em suas ruas em ladeira. A cidade toda é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1980.

O casario dourado, as muralhas e a vizinha cidade medieval de Mdina, a "Cidade do Silêncio" e antiga capital, transformaram Malta em um dos sets de filmagem mais requisitados do mundo. Por ali passaram produções como Gladiador, Troia, Munique e a primeira temporada de Game of Thrones, que usou Malta como a King's Landing original. Há até uma vila inteira construída em 1980 para o filme Popeye, hoje virada parque temático.

Você sabia? Curiosidades rápidas de Malta

  • Dirige-se pela esquerda, herança direta do domínio britânico.
  • Não há rios nem lagos naturais permanentes no arquipélago; a água sempre foi um tesouro estratégico.
  • É um dos países mais densamente povoados do mundo, com pouco mais de meio milhão de habitantes espremidos em um território minúsculo.
  • Está entre os países mais ensolarados da Europa, com clima mediterrâneo e mar navegável boa parte do ano.
  • A antiga Ordem de São João sobrevive até hoje como a Soberana Ordem de Malta, sediada em Roma, um curioso sujeito de direito internacional sem território próprio.
  • Malta entrou na União Europeia em 1º de maio de 2004, aderiu ao Espaço Schengen em dezembro de 2007 e adotou o euro em 1º de janeiro de 2008.

De fortaleza dos cavaleiros a nação europeia

O arco histórico de Malta é vertiginoso. Depois dos Cavaleiros vieram a breve ocupação de Napoleão (1798) e, na sequência, o domínio britânico, que durou até a independência em 21 de setembro de 1964. Dez anos depois, em 13 de dezembro de 1974, o país se tornou república. Hoje, membro pleno da UE e da zona do euro, Malta combina um patrimônio de sete mil anos com a vida de uma nação europeia moderna, bilíngue e voltada para o mar.

É essa mistura, pedra neolítica e wi-fi, árabe medieval e inglês de escola, sol o ano todo e história em cada esquina, que torna Malta um lugar tão improvável quanto irresistível.

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Como o inglês é língua oficial e o custo de vida é mais acessível que o de outros destinos europeus, Malta virou uma das melhores portas de entrada do mundo para estudar inglês e viver uma experiência internacional com história em cada passo. Se você quer entender quais cursos, vistos e caminhos fazem sentido para o seu perfil, fale com o time da First Gate: a gente te ajuda a planejar o seu intercâmbio do jeito certo.


Fontes e leituras recomendadas: UNESCO (Templos Megalíticos de Malta, Hipogeu de Ħal Saflieni); Encyclopaedia Britannica (Malta); Wikipedia (Great Siege of Malta, Award of the George Cross to Malta, Maltese language, Valletta); União Europeia (Malta na UE). Valores e dados verificados em julho de 2026.

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